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entre um

e outro

escolho

o novo

de novo

porque a

vida

não imita

nem uma cópia

cada coisa

que se desloca

é sempre

muito nova

e os seus detalhes

trazem na memória

os retalhos

atalhos

para tentar ver

de novo

tudo aquilo que

já viu


limpa o olho

põe de molho

e para de

encarar a realidade

com vontade

de encontrar


para e pensa

não pretenda

se enganar


olhe a vida

molhe a via

para o caminho

andar

encontre a paz

na mudança

e transforme a

esperança

sem

esperar


para e pensa

não pretenda

se enganar


aprenda uma nova

dança

perdoe sua criança

e vá


a vida acontece

como uma deusa

danada tece

as dracenas

de seu

enxoval



vi naquele

aceno

de pina bausch

o quanto

os braços

se desintegram

entregando

o outro


vi no rosto de pina bausch

o quanto

o corpo

se reincorpora

e reintegra

a cada calculo de movimento

a cada

momento de

peso na

clavícula


dessa dança

de adeus

nem deuses

nem devotos

se desfazem


encontro meus passos

num outro ritmo

rindo


a dança é meu

calcanhotto de aquiles

e aqueles

longos solos

são feitos para

pisar

descalços

aos montes

eu estava no banheiro cantando quando a lua entrou rolando completamente nua numa bicicleta correu por uma floresta

de metáfora seu luar veio me encontrar lá fora na rua uma bela mulher caminha paciente, escovando os dentes no banco do parque, um homem vestindo sua maternidade, bebe suco de maçã no fim do século, boa saúde é o melhor jeito pro amanhã

um buraco no céu se abre

o trejeito da angústia, o trejeito da escuridão se vão e dão um jeito de voar brilhantes pelo trajeto daquele buraco as rugas do abismo são lisas o rosto pálido do sofrimento suaviza calçados com patins

mais de um poeta desliza. A lua.. minha... ao meu luado.


Nota: Traduzi o poema para o português a partir da tradução presente no livro TransArea: A Literary History of Globalization de Ottmar Ette (p. 324) feita para o alemão por Peter Pörtner e pela tradução pro inglês feita pela própria Tawada enviada a Ette . Também consultei a tradução para o inglês de Bruno Navasky, publicada no site Poetry Internacional, em 2004.

© 2025 por Caio Augusto Ribeiro

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