O voo da lua (Yoko Tawada)

eu estava no banheiro cantando quando a lua entrou rolando completamente nua numa bicicleta correu por uma floresta

de metáfora seu luar veio me encontrar lá fora na rua uma bela mulher caminha paciente, escovando os dentes no banco do parque, um homem vestindo sua maternidade, bebe suco de maçã no fim do século, boa saúde é o melhor jeito pro amanhã

um buraco no céu se abre

o trejeito da angústia, o trejeito da escuridão se vão e dão um jeito de voar brilhantes pelo trajeto daquele buraco as rugas do abismo são lisas o rosto pálido do sofrimento suaviza calçados com patins

mais de um poeta desliza. A lua.. minha... ao meu luado.


Nota: Traduzi o poema para o português a partir da tradução presente no livro TransArea: A Literary History of Globalization de Ottmar Ette (p. 324) feita para o alemão por Peter Pörtner e pela tradução pro inglês feita pela própria Tawada enviada a Ette . Também consultei a tradução para o inglês de Bruno Navasky, publicada no site Poetry Internacional, em 2004.

© 2020 por Caio Ribeiro

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