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Encontrar é o primeiro Ato

O segundo, perder.

Terceiro, Expedição até O “Velocino de Ouro”

Quarto, nenhuma Descoberta.

Quinto. Sem tripulação.

Finalmente, nenhum Velocino de Ouro

Farsa – também – Jasão.


Tradução de Caio Ribeiro*


* tradução antiguinha que reencontrei perdida pelos arquivos do computador.

mudei a forma como me

grafo

o som não se altera

a boca nada e falha

o suspiro me espera.


sei que ainda sonho

porque meus sonhos

não dormem

mas

o que faz a mão cansada?

tudo ou nada

um pouco

de

cada

vez.


me infinito tanto

que o desejo é

quase como ver(ter).

e o sonho é tampar os olhos

e dar ao corpo sua dimensão mais sensível de experimentar uma frase longa e estreita sem cair nos sons arranhados.


seduzo na mesma proporção que me desfaço

e desapareço tão bem, que me espanto.

nada nunca foi fácil

mas parece que menos pensamento

ajuda

a agilizar

todas essas

rugas do

rosto.


todo esse gosto

por

fuga.






e me parece

assim de

longe

que

deixar de fugir

é finalmente

chegar.


o irevir

é um virasser

e

naquele sonho

febril

compartilhado entremundos

a figura que sonha dava a figura sonhada

seus atos de saber

fatos que não se desintegram diante do tempo

que não existem nem em pensamento.


eis aqui a busca:

ser conhecido por aqueles que posso ver.

ser lido por aqueles que sei o nome.

não estar preparado.

abrir mão do controle.

não ansiar olhares.

não prosperar elogios.

não mentir.

ser mais como cão.


tudo vai passar.

o gosto vai passar.

tudo vai passar.

o rosto vai passar.


passar a tarde toda apenas cantado

um canção tikmũ'ũn:


as minhocas

com suas cabeças brancas

como ficam belas deitadas...