não procure teu nome

em nenhuma linha

em nem uma agulha


não fecunde tua sombra

com luz

mas

com noite

assim teu corpo terá a

extensão

do infinito


não procure teu nome

no galho

no tronco

no tórax

no escombro

não procure


esqueça que há

coisas a serem procuradas

esqueça que as coisas tem sentido -

tudo vibra, querida


deixa de lado

essas arestas

e se preencha com as lacunas

geométricas

de olhos

que olham

pra enxergar

não pra ver


olhos não veem nada

mas vem com

tantas letras


deixa de querer

dar nome

no todo

e comece um movimento

desenfreado

de desnomear


sem teu nome,

que te sobra?

tudo!


sem o nome do que faz,

que te sobra fazer?

tudo!


sem o nome de onde mora,

que te sobra pra dormir?

tudo!


desnomeia

desnomeia

desnomeia

a minha fissura por ossos

bem raspados

desalinham os lençóis da minha cama

meus fantasmas, então,

não descansam,

fazem sombra aos meus pés

o esquema de dedos

magros

me faz sobrar o improviso

agora o corpo molhado

irrompe pelas frestas de sonho


só o tempo de

voz

pra sonhar

de novo


expõe

escrevendo este

ritual

como um tirar

de frases

da garrafa


cheirava lento

o balançar

dos

abismos


todo esse

início de precipício

era apenas

a força das

fábulas se

reinaugurando



© 2020 por Caio Ribeiro

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