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osso aceso

nosso

peito

ileso

leve

longe e

limpo.


o osso

é

sombra


é sorte


é sempre

um sinal

de simpatia


o tamanho do osso

e sua brutalidade

varia

da parte do

corpo


partido

o osso

revela-se

o passado

e penso se

o ancestral

pode pensar

o futuro


se o osso

guarda um comando

ainda

secreto

sagrado

salgado


o osso

é registro

é o que está

por dentro

de toda

ação

do corpo

essa máquina

de tons

e gostos


osso

nosso osso

medula

necessária

que abre para

a estrutura

de cada nós


o osso

o pó do osso

cal


call-me osso



o osso

a matéria que

dura do corpo


o osso

a cartilagem

o osso

a ossatura

a história




o osso


o osso é osso


o osso é nosso


o osso é herança


sos


ossaturação

ossonho

ossanha



a palavra é osso

letra é escultura

de esqueleto

de osso traçado



osso é tradução

em lingua

morta.


onde

se vai

esvai

o longe

e aproxima

o desespero

espera pra

ver

o verde

tomando conta

desta

geringonça

meio gente

meio onça

sempre em

frente numa

seta

que arremessa

a vontade

a vaidade

a verdade

para frente

do tempo

em pó

corre

pra dentro

do corpo

o estojo

que guarda sua

mente

aguente

que ainda

vem chapa quente

a gente

no olho

do furacão

e não

tem lente

leite

leito

alento

para esse

momento


tem só espera

e ela

é a pedra

fundamental

do que

vem.

quaresma

quarentena


olhos, boca

mãos


antenas


apenas pra ver

a tele transmissão

da paranoia

parabólica


navegando no virus

ondas e mais ondas

de abismo


"amigo,

fica em casa"


"mas quem alimenta

meus filhos?"


"eu sei é difícil

mas pense também nos meus"


eu ouvi isso

um tiro.



deita e desconecta

pensa na língua

no sabor do nectar

que tem o

não saber.


conecta pra dentro


que talvez o cometa

venha

pra trazer uma resposta


a natureza não começa

guerras


ela responde.



dialeto secular

que tira

a secura

dos olhos


lava e enxuga as mãos


mas



não tem mais,

caramba.


não tem adversativa

nem adversário


o presente

é a única chance

de mais um aniversário


nesta intensa


quaresma-quarentena

© 2025 por Caio Augusto Ribeiro

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