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busco entre

linhas

a vida offline

a palavra é

quase minha

por isso

me desfaz


horizonte

nunca online

fome bruta de

paisagem


tinta na tela

tem tantos

sentidos


e poesia continua

sendo

tecnologia

de ponta

de

vent-

ania


me lembro das aulas de caligrafia do colégio de freiras. nunca fiz nenhuma. não lembro como conseguia me safar semanalmente. usava o caderno para desenhar pequenas histórias dentro daquelas linhas apertadinhas. uma vez uma professora com cara de boi bravo disse "sua letra parece astronauta, fica flutuando na linha". aquele foi um dos maiores elogios que já recebi.

bradam aos montes

os novos

e menos distantes

brutamentes

cabeças de chumbo

calçando

chulos coturnos

cheios

de dentes


bradam as mentes

os novos

e mais potentes

brutamontes

olhos de venda

cabeças sem fundo

calçando

calçadas

que levam

ao abismo

um risco

que amam

assumir

e

sumr.

© 2025 por Caio Augusto Ribeiro

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