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um menino

palestino

de jaqueta

jeans

joga

uma pedra

em um tanque

de guerra americano


o diabo se esgueira dentro

da cabeça de um homem

que usa a virtude como

sua gravata predileta


seis baleias dormem

como se fossem as pedras

da chapada

no fundo do mar


ensaio a pronúncia de um nome

enquanto lembro do meu

se a tônica é no início

a leoa mostra os dentes

se é no final

a artista

entrega um beijo assoviado.


muitos pedais de bicicleta rodam

a cabeça cansada de um poeta que

não escreve.


aurélio, tão querido e triste

esse menino tão

velho

descansa nos tons de jobim

o menino pierrot de

marfim.

uso, com certa frequência,

força desmedida

em certas

coisas


ao corte da magra cenoura

entrego uma cicatriz nova

a tábua que a segura


ao esfregar o rosto

eu o esfolo

na tentativa de limpá-lo


na louça, já

parti um copo em

dois

e fundei uma cavidade no dedo

apenas tentando

lavá-lo.


acontece que ainda assim

há um outro emprego da força

mais desmedido e

descomunal


quando, no meio da tarde

golpeio na cabeça

o silêncio

que tenta

nascer.

pra onde foi

a folha que você

foi?


ela se foi?


onde se

esconde

a onda

que você

anda?


onde?


ontem.

© 2025 por Caio Augusto Ribeiro

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