top of page

no quarto

marcelo está

imerso

em céus de

sonho.


o sono projeta

seus encantos

em cada canto

de suas arestas.


na pequena tela

minha mãe

logo de manhã

me envia uma foto

de sua mãe - minha avó


aquele curativo no olho

não a fez perder a elegância

de sempre - mesmo após a cirurgia


mas


meus olhos

param nas pernas já frágeis

no corpo fino

no rosto com estradas


e no olhar de sempre

um sorriso que não mente

mas eu nunca soube como admirar.


agora sei


minha mãe me manda um poema de clarice

e diz que é para mim e

marcelo


mas que poema definiria

ela e minha vó?


que momento poderoso

é este

onde a filha

transforma a própria

vida ao

cuidar da mãe

como a mãe fez

há 50 anos


talvez a maior abundância da vida de

espera de minha mãe

seja esta

poder se transformar

ao cuidar

da mãe


e eu

no meio disso


que lindo


mas


ainda não sei

o que sentir



todo desejo é genuíno, homem

nasce de dentro e parece

que por isso

é a coisa mais intensa


soa como verdade

aquilo que vem de dentro

como se saísse das entranhas

uma nova alma


mas também é

genuíno e verdadeiro

não dar ao desejo

o que quer que seja.


o não é uma

lição

preciosa

e o fracasso

um professor

generoso.


aprenda a amá-los

e será

para sempre

livre.


roube o amor

das mãos daqueles

entes

meio necro-

meio gente

que ostentam

na boca

tortos dentes

e na língua 

um aroma

acidente.


leve o amor

para o lugar

do tempo

dê a ele mais do que

o momento


um o espaço-templo



lembra do amor

quando olhar para a fera

e verá nela

você


o aroma do

amor

amansa


lembra do amor

quando sentir tristeza

porque o amor

é também uma lente

e não há quem aguente

ser olhado com amor


lembra do amor

quando se esquecer

porque o amor

é um tipo

de lembrança


lembra do amor

quando 

sentir amor

porque até o amor

pode

precisar.

© 2025 por Caio Augusto Ribeiro

bottom of page