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fazer um rabisco

no céu

e com os fios do

seu cabelo

embrulhar meu desejo

pra

te

dar


um lugar tão

pequeno

com espaço pra

nós

e pra nossa

sombra


o tempo passa lento

e eu faço

estragos

tão pequenos

em você


e a cada

cicatriz

a gente fica mais

feliz

por saber

aprender

com as

distâncias um do outro

com os

destroços um do outro




canso de horas


não consulto mais

oráculos


fujo de visões

antevejo só o que

sinto


subo alto

antes do tombo

construo a queda

como quem levanta um castelo

exercito o verbo

enquanto

atadura

e saboto as frequência

de qualquer aviso


preciso cair

como amarrado

a um cometa


como enjaulado

no mundo


como quem

toca a liberdade

ainda criança

e nunca se esquece


sem projétil

me atiro

e rompo com o tecido epitelial

da atmosfera

e uma sequência

de alfabetos

surge


milhões de luzes


a vida urge

pra nascer

e

naquela altura

qualquer grito

é um nascimento

em ondas de

agito ferve

o choro



prezo

por

descapturar o

instante

e destituir

da dinastia do agora

suas matérias mais simbólicas.


o poema

como moldura

a estrutura

o sustento


um cento de palavras

e um cesto de versos

não definem


definham.


desatuar o estabelecido

e olhar para

o desvio


] é lá que vive

o mais sublime

desatino [


desate

deserte

desvá

© 2025 por Caio Augusto Ribeiro

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