onde

se vai

esvai

o longe

e aproxima

o desespero

espera pra

ver

o verde

tomando conta

desta

geringonça

meio gente

meio onça

sempre em

frente numa

seta

que arremessa

a vontade

a vaidade

a verdade

para frente

do tempo

em pó

corre

pra dentro

do corpo

o estojo

que guarda sua

mente

aguente

que ainda

vem chapa quente

a gente

no olho

do furacão

e não

tem lente

leite

leito

alento

para esse

momento


tem só espera

e ela

é a pedra

fundamental

do que

vem.

quaresma

quarentena


olhos, boca

mãos


antenas


apenas pra ver

a tele transmissão

da paranoia

parabólica


navegando no virus

ondas e mais ondas

de abismo


"amigo,

fica em casa"


"mas quem alimenta

meus filhos?"


"eu sei é difícil

mas pense também nos meus"


eu ouvi isso

um tiro.



deita e desconecta

pensa na língua

no sabor do nectar

que tem o

não saber.


conecta pra dentro


que talvez o cometa

venha

pra trazer uma resposta


a natureza não começa

guerras


ela responde.



dialeto secular

que tira

a secura

dos olhos


lava e enxuga as mãos


mas



não tem mais,

caramba.


não tem adversativa

nem adversário


o presente

é a única chance

de mais um aniversário


nesta intensa


quaresma-quarentena

um olhar

que demora

melhora

a vida

quando passam

as horas.

© 2020 por Caio Ribeiro

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now