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a vida é tão curta

pra poemas de

amor

se você não sabe viver

então furta

nem que seja uma flor

ou uma fruta

de qualquer cor

coloca nas mãos alguma coisa

mesmo que seja vento

habite algum lugar

pra poder sair dele a tempo

escuta:

a vida é muito curta

pra um poema tão longo.


paro aqui,


vá viver.

quero

um lugar que caiba no

bolso

e que não doa

os ossos

pra carregar


celebrar

uma vitória tímida

um momento único

com poucas falas

e um tanto de música.


olhar aquele algo

simples

sem contornos máximos

ou luzes fortes.

só alguém

com uma camiseta mais ou menos bonita

e a voz um pouco desafinada

a bermuda rasgada de tanto usar.


não são preciso

poemas. qualquer palavra serve

pra descrever.


um vinho talvez

mas nem precisa

porque

ali

naquele lugar do tamanho certo

não falta nada

e não sobra pra ninguém.


tá tudo muito bem

no limite

timidez do sol e

no limiar

da tarde em que

as nuvens

não tem nada de especial

são só nuvens

flutuando

até sumir.






a saber que


toda palavra é inventada e não há nenhuma que nasceu sozinha.

todas línguas guardam um beijo secreto.

todo som procura espaços na boca.


portanto, declaro


partir uma palavra ao meio é válido pois a metade pode intensificar e devemos também nos acostumar com uma certa falta.


veja sozinho. Agora veja


fundir palavras para haver intercâmbio (ou dança). intercâmbio não é um exemplo tão bom desta fusão.


utilizar mais de um tempo ou alterar as quantidades. faça o plural e o singular se desintenderem. deixe os tempos se desintegrarem. "agora eu era herói".


mude as tônicas para que toda sílaba possa ter música.


exercite o falar em tons. sussurro, grito, choro.


agora, esqueça tudo

e vá viver porque a língua

é livre

e não se doma nem com

a palavroscopia mais anestésica

ou com o veneno mais careta.

© 2025 por Caio Augusto Ribeiro

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