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um olho aberto

nem sempre está

acordado


é possível se manter desperto

e ter os

olhos

bem

fechados


perguntei ao moço

algo banal

depois

de um longo instante secular

vi suas bochechas

empedrarem até cair

seus olhos

se tornaram fundos

de espaço

e sua língua um

tapete empoeirado

o velho diante de mim

disse


"cuidado com suas perguntas"


sem saber o que fazer enquanto

via o homem

envelhecer cada vez mais

pensei em oferecer-lhe água

mas não fiz nada.

olhei

aquela pele se tornar

um deserto

e os fios de cabelo

desintegrarem no ar.


nem todos meus poemas

estarão recheados

de sol

agora é noite

e amanhã

o mundo faz uma longa curva

em minha costela


escrevo porque não sei.


© 2025 por Caio Augusto Ribeiro

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