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papos elétricos

e a mão nem mais treme

espaços genéricos

mas sempre cabe mais

olho e tem tudo


como pode ter tudo

num rosto


olho de novo

e parece ter mais

como pode ter tanto


num rosto?


te olhando

minha clavícula tem importância -

as erupções que outrora viriam

são apenas carência


nunca fui tímido,

mas teu rosto me mostra

que sou o mestre em me encantar

e fico de cara

que quando olho teu rosto

continua vindo

o melhor de mim


queria continuar sendo o

enfático errante

o saci travesso

eu queria continuar sendo satã

mas teu rosto

me convida a

uma reconfiguração


como pode um corpo tão pequeno

produzir, com tanto empenho, uma revolução?


tua cara

quadrada

me despena das

asas que achei ter

tua sobrancelha exata

me humaniza tanto que

me sinto irmão de um cachorro

tua cara regenera meu passado.


como pode ter tanto num rosto

às quatro e quinze na voluntários da pátria?

asa flutuando

o pequeno inseto oculto no

vértice da realidade

voa sua asa à mercê de

tudo que poderia ter sido

e não é



do corpo eu não sei.



eu não vou chegar

pro jantar

nem há ninguém

pra avisar

que eu caí

e machuquei um pouco o meu joelho

e não sei se estou certo ou é exagero

meu


só sei que dói

um pouco

e dificulta a andar

pela casa

vazia, sozinha

e cheia de eu

e meu joelho


e mesmo no espelho

eu não sei.


© 2025 por Caio Augusto Ribeiro

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