sonho VII


o mais sagaz dos animais

em sua sabedoria ancenstral

disse para o jovem monge


'segurar

o sinal com as mãos

voar é qualquer coisa

acima do chão

mas o corpo quebra

ah, como o corpo quebra

mesmo se amarrar um brilho nos olhos

ou um cometa direto no coração

o corpo quebra

ah, o corpo sempre quebra'


o jovem monge

foi pra linha do horizonte

onde o ponto de fuga é tão

fugaz

ali tão longe de tudo

quando o mundo fica mudo

num único segundo

'o corpo tem que quebrar'

ficar livre do

império do respirar

deixar a maciez ser ruga

o cabelo

esticar até

perder a cor.

'ah, que lindo o corpo quebra

que lindo o corpo sempre quebra'