deserto

eu

essa fera

vestida com coração de quimera


oração pro deus que ninguém reza

perdido entre as vezes que eu me salvo e na dor de quando me arrisco

insisto

em sempre tentar

e arrancar

alguns tufos

de cabelos

mortos

e arriscar sementes

na própria cabeça

para cultivar

uns certos

cachos

mais doces

e menos

machos


as vezes desocupado de minhas miragens quero converter o deserto em

Éden

porque

deus sempre revolve(r)

com a culpa -


atravessia dessa metáfora

é anônima pesada e rasga a asa da fábula que escrevi


pois


a asa é inventação

mas o arrancar, não

vejo os veios e entranhas

e não estranho que tirar

seja mais dolorido

que por


porque


a gente cria achando que é só criação mas passa o tempo e se acostuma com a miração e a imagem verte em paisagem que quer ser habitada

por alguma alma

armada


me desalmo


não

não quero

e não preciso ser salvo

este poema-rosário

tem espinhos e cada espinho guarda um comando

uma gota de sangue que talvez não aconteça

um espetão que nunca apareça


eu não deserto

deste deserto

ameno

esparso

incerto


eu me inseto

mas não vou

mais

me isentar.

© 2020 por Caio Ribeiro

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