caminhante

amar

as portas

destrancadas


as janelas abertas


a casa

vazia



sou caminhante


não prego sentenças

e não me sinto livre de todas elas


prego peças

para espantar o peso

das coisas e suas arestas


olho

e vejo quantos passos

sento no chão da sala

espantado

este espaço tão

estático

caminha

comigo


nem sempre é fácil

mas

vem


o querer

camufla

o ser


fiquei confuso


olhei para os lados e vi

que tinha inflado

no eco

do homem que queria ser


sou o caminhante,

não sou o caminho.


sou acalmante e

cuido das pontas dos

meus espinhos

alguns dedos

inflamados

e buracos

causados

já perdi a conta

vou dar outro

propósito

para essas

pontas.


caminhar

tem me trazido

uma calma

rara

esférica

e

isso me dá vontade de dançar.


não me preocupo com o percurso

mas sim

em estar em

percurso

porque sou caminhante

ambulante

conflitante


chega de ser

confrontante

chega de

estar distante

chega de dizer

a todo instante

tanto

querer.






© 2020 por Caio Ribeiro

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