Manifesto da Manifes

Carlini & caniato 2018

   Manifesto da Manifesta é meu terceiro livro. Desta vez, fui premiado pelo edital municipal de cultura recebendo incentivo para publicação. O livro foi construído a partir de uma pesquisa que fiz com lambe-lambe – que é basicamente um cartaz com conteúdo artístico e/ou crítico colado em espaços públicos. É uma forma de intervenção criativa na cidade, com o poder de despertar as pessoas para reflexões que em geral não estão presentes no nosso dia a dia. Em um dos estágios da pesquisa me juntei a minha querida amada Marília Beatriz Figueiredo e fizemos uma série de lambes que colamos juntos na cidade.

   A partir destes processos, fui desenvolvendo a relação que queria que o livro tivesse com as coisas, com a época, com o leitor, com o espaço – especialmente o público. E depois de todas essas ações, fui começando a montar o livro e a escrever as poesias, todas sempre atentas com tudo que estava acontecendo lá fora e aqui dentro. É um livro bem diferente do anterior porque nesse eu realmente me preocupei com o estudo de um conceito, estudando a construção de um manifesto enquanto passeava pelos principais manifestos do nosso tempo.

 Também dei continuidade em meus estudos de poema-processo e poesia-visual, especialmente influenciado por Wlademir Dias Pino e Silva Freire, com um pinguinho de Yoko Ono. É como eu digo, é um livro livre e que foi feito com muito cuidado. A capa de Luiz Marchetti, por exemplo, foi feita a partir do conceito do livro.

Lançamento: 21/08/2018 na Academia Mato-Grossense de Letras / Livraria Patuscada, São Paulo,SP / Congresso Poéticas de Proximidade UFMT / FLIPOC, Feira Literária de Poconé

Textos sobre o livro

Em Manifesto da manifesta, a poesia ganha contornos de um lirismo político que leva a existência e suas manifestações a um limite em que linguagem e estrutura se tornam um desafio para o poeta. Na verdade, um desafio para a inquietação do poeta. Um risco calculado e laborado, mas que não se furta a render-se a uma ou outra pulsão.

Dividido em cinco partes, a poesia manifesta afronta a lei, brinca com o espaço do formato livro. Os poemas são mínimos, alguns outros mais extensos, não se apegam a formatação alguma, criam nuances em que expandem vivências que estão a ponto de explodir ou de se calar. Mas não se calam. Fazem ecoar um grito de greve geral contra as opressões, as angústias artificiais, ao que engendra interdições à poesia e a favor de tudo que nos revele/transforme, seja autoafirmação e gosto da presença do Outro.  Em Caio Ribeiro, a esperança é um coração indomável. 

E retornando ao lirismo político. E para essa composição não faltam beleza e veemência. O poeta se abre para o mundo, em imagens, palavras e sons que podem ser colhidos e reverberado por aquela/aquele que lê. E o fazer poético já é um fazer político, um retumbante eco de nossos desejos de ultrapassar cubículos e partilhar toda sorte de experiência. Até mesmo a solidão que nos contagia. Peripécia da qual o poema é capaz.

Se Antonin Artaud nos disse que “Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno”, Caio Ribeiro nos mostra que o paraíso é promessa realizável. Ainda que alcançá-lo seja um convite para um novo movimento para encontrá-lo.

Wuldson Marcelo,

escritor e roteirista

Manifesto da Manifesta põe em movimento desfazimentos e sensações.

Aqui, as palavras são entes viventes que querem se despir de um sentido obrigatório, despregar-se do quadrante das páginas, romper a insígnia da poesia, decolar para fora do livro. 

Há um convite-desafio proposto pelo autor: “as páginas serão destacáveis” faça “o que quiser com elas”. Retire, encontre, cole, use. Há uma soltura em jogar com o encadeamento das frases, com o movimento da forma gráfica na sequencialidade das páginas, com a repetição desajustada de morfemas, palavras e rimas.

Capítulo a capítulo, uma inconstância nos empurra, pretensamente e sem recato, para um espaço de flutuação. Lá, nesse espaço, tomam voz diversos temas, gritos e “nãos” que lucidamente se contradizem, que dão visualidade sem tatuar.

Se a forma não basta, se o sentido não basta, por entre essas costuras, a obra vai tecendo outro fio, trazendo o experiencial. Criando instantes e propondo vivências de intensidades, nas quais devemos imergir como corpos aprendizes desatando, nó por nó, nós mesmo.

 

Ângela Coradini
Diretora de Cinema

Fotos e Vídeos

Participação do Colecionador de Tempestades no programa Palavra, da Tv Assembleia. O recorte do livro está no último bloco do programa, a partir do minuto 22:35

Entrevista com Caio Ribeiro falando sobre o Manifesto da Manifesta no Panorama Cultural da TV Mais NEWS canal 17.

Mídia 

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