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uma porção de letras

e nenhuma é a

minha


uma porção de sons

e eu só

reconheço alguns


o mundo

de dentro

de uma casa

ver pela tela

falar pela tela

não conseguir dizer adeus

para os que foram


uma floresta de símbolos

e não há

dicionário


um enigma

de códigos

e eu ali

no meio deste

sistema de

borrões


uma porção de

letras

e eu

deleto

a voz traz consigo

uma escada

e subo


escuto

mudo


degrau

letra

piso firme

nas tônicas

e capto todos

os

cantos

destes sonoros

alfabetos

abertos para

mim


queria ouvir uma voz - a sua -

e não ter que

imaginar

toda noite

o som que sai

não deixa

espaço

para o que sobra


porque o som

não compensa a

letra

e a pinça

do pensamento

seleciona

os alfabetos

que convém

conviver com

a boca


nesse tempo

de desarmonia

entre traço

e letra

atrito

e certeza

é a hora

de não entender

porque

entender o absurdo

é mais

absurdo

ainda

© 2025 por Caio Augusto Ribeiro

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