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cuiabá:

cidade partível


cuiabá:

cidade

ficável

a leoa

sem auréola

não chama meu nome


não te culpo

nem o

seu poder felino


enquanto a minha

guitarra

chora dum jeito

gentil

numa

fria

chuva

azul


um a um

embaixo da mesa

garotas

assim como o mel

dançam


eu sou uma

vítima dessa música

que nunca

chega

como um camponês

formado

de

cinza pra cinza


parabéns,

Andrômeda

eu ouvi alguém assoviar

e não

era

você.






as coisas que eu não preciso

continuam existindo

porque não

sou eu quem pensa

na coisa

mas a coisa que pensa em mim

elas me acham

desde que

nasci


é como se as coisas que eu não preciso

não se interessassem por mim

elas não desviam da calçada

quando me veem passar

elas nem sequer

sabem que eu existo

e por isso

não sou

um pensamento

em suas cabeças de coisa

um momento em seu

desejo que açoita

uma presa fácil econdida na moita


eu não sou

eu não sou

eu não sou


nunca foi sorte

evitar a morte

toda vez que algo ocorre

tem uma coisa que me escolhe

entre as mãos

por onde tudo escorre


eu nunca falei com você

e talvez nunca vou te ver

as coisas que você não precisa

são coisas que eu sempre preciso

nem sei se como amigos

vamos nos encontrar


as coisas que eu não preciso

não precisam de mim

desde que me lembro

sempre foi assim



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