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o que vê quando

flecha os olhos?


e quando segura a vida

com as

nãos?


me diz o que sente

quando

chega viva ao

sim do dia


sabia que

tenho vinte e quatro

mil

vamos

nas costas?


todo esse falaticídio

desnecessário

pra me

resconder


eu queria mesmo me

levar pra jantar

ou organizar

o aniversário

de uma montanha


ou apenas

tocar com a língua

uma estrela de-cadente

engoliar com

muita saliva

a lua que míngua

lá na frente.





põe a lingua pra

fora


vai

põe


vou te dar um

outro idioma

agora

sem língua


começa a esquecer

do primeiro beijo

inventado na 4ª série

da tua língua tonta

no primeiro beijo real

naquele reveillon de

2008

da menina morta

naquela carta de amor em

2009

do beijo roubado por

um amigo

em 2014

esquece toda essa

língua

deixe de pensar

naquela árvore perto

da pracinha

e daquele mato atrás dela

onde você viu uma cobra coral

pela primeira vez


tenta esquecer

o peso do murro

que seu pai te deu

naquela briga em 2005


tira tudo isso da sua boca

que seu próximo idioma

tem uma nova língua

e nem pense em

mutilar

colocando um piercing

que isso é muito

piegas

deixa a lingua solta e afiada

para cortar

palavras por chamadas

de telefone

deixa a lingua

longe dos dentes

porque o som

sai sempre

acidental

faz com que essa nova língua

produza os sons

que ainda não ouviu

porque assim

o falar

será sempre

inaugural

assim

o sussurro

será sempre

uma mudança na temperatura

da atmosfera do céu

da boca

assim o sopro

será sempre uma

direção carregada

de sentidos


assim

com este novo

idioma

talvez você se torne menos

idiota

como diz aquela mesma nota

que escreveu:


"ei, idiotinha! que besteirinhas você vai inventar agora? que tal só falar a verdade e depois silêncio?"


© 2025 por Caio Augusto Ribeiro

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