manhã de maio 20

no quarto

marcelo está

imerso

em céus de

sonho.


o sono projeta

seus encantos

em cada canto

de suas arestas.


na pequena tela

minha mãe

logo de manhã

me envia uma foto

de sua mãe - minha avó


aquele curativo no olho

não a fez perder a elegância

de sempre - mesmo após a cirurgia


mas


meus olhos

param nas pernas já frágeis

no corpo fino

no rosto com estradas


e no olhar de sempre

um sorriso que não mente

mas eu nunca soube como admirar.


agora sei


minha mãe me manda um poema de clarice

e diz que é para mim e

marcelo


mas que poema definiria

ela e minha vó?


que momento poderoso

é este

onde a filha

transforma a própria

vida ao

cuidar da mãe

como a mãe fez

há 50 anos


talvez a maior abundância da vida de

espera de minha mãe

seja esta

poder se transformar

ao cuidar

da mãe


e eu

no meio disso


que lindo


mas


ainda não sei

o que sentir



© 2020 por Caio Ribeiro

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