fábulas num cabelo sem cor

a minha fissura por ossos

bem raspados

desalinham os lençóis da minha cama

meus fantasmas, então,

não descansam,

fazem sombra aos meus pés

o esquema de dedos

magros

me faz sobrar o improviso

agora o corpo molhado

irrompe pelas frestas de sonho


só o tempo de

voz

pra sonhar

de novo


expõe

escrevendo este

ritual

como um tirar

de frases

da garrafa


cheirava lento

o balançar

dos

abismos


todo esse

início de precipício

era apenas

a força das

fábulas se

reinaugurando



© 2020 por Caio Ribeiro

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