amarrado a um cometa as três da tarde

canso de horas


não consulto mais

oráculos


fujo de visões

antevejo só o que

sinto


subo alto

antes do tombo

construo a queda

como quem levanta um castelo

exercito o verbo

enquanto

atadura

e saboto as frequência

de qualquer aviso


preciso cair

como amarrado

a um cometa


como enjaulado

no mundo


como quem

toca a liberdade

ainda criança

e nunca se esquece


sem projétil

me atiro

e rompo com o tecido epitelial

da atmosfera

e uma sequência

de alfabetos

surge


milhões de luzes


a vida urge

pra nascer

e

naquela altura

qualquer grito

é um nascimento

em ondas de

agito ferve

o choro



© 2020 por Caio Ribeiro

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